Postado às 06h48 | 19 Dez 2022
Ney Lopes
Termina a Copa do Mundo 2022.
Não há nada igual a um campeonato mundial.
É o evento mais diversificado do planeta.
Todos os continentes participam. As surpresas são constantes.
A campeã Argentina perdeu no Catar para um país asiático, a Arábia Saudita.
Marrocos, um país africano, ou um país árabe, chegou às semi-finais pela primeira vez.
Entretanto, há o lado obscuro do futebol.
O dinheiro governa o mundo.
Os responsáveis pela FIFA colocam muitas vezes o benefício individual acima do bem comum.
Em 2 de dezembro de 2010, em Zurique, uma votação do comitê executivo da FIFA designa o Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022.
Em Doha, a capital do emirado, é uma explosão de alegria e em vários países levantou-se a acusação de que houvera corrupção.
Denúncias de que o Catar subornara até eurodeputados, que, por sua vez, desvalorizaram a forma como o país trata os trabalhadores migrantes.
Do lado esportivo, foi denunciada a aberração de organizar uma Copa do Mundo em um país deserto e escaldante, onde não há paixão pelo futebol.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, derrotados por catorze votos a oito na votação da Fifa gritaram corrupção e compra de votos
Todavia, o emir Hamad Ben Khalifa Al-Thani, pai do atual governante, que o sucedeu em 2013, exultou.
Seu reino era conhecido por todo o planeta.
Nos anos seguintes, a novela Qatar 2022 foi constantemente alimentada: investigações judiciais, nos Estados Unidos, mas também na França, sobre a votação altamente controversa da FIFA e a prevaricação de vários de seus líderes.
Além disso relatórios sobre a terrível condição dos trabalhadores asiáticos (bengaleses, indianos, nepaleses, paquistaneses, filipinos) e trabalhadores africanos (quenianos, Somalis, sudaneses); denúncia de danos ambientais causados pela construção de seis novos estádios com sistemas de ar condicionado.
O emirado gastou dezenas de milhões de dólares em comunicação para restaurar sua imagem, e o orçamento de US $ 200 bilhões que dedicou a investimentos em infraestrutura (estádios, metrô, etc.) transformou-se em felicidade de centenas de empresas ocidentais, chinesas e japonesas.
A Copa chegando ao final escreveu muitas histórias em campo.
Pelé, em seu leito hospitalar, saudou Messi e disse que foi merecido ele ser campeão do mundo.
O jornal italiano “Sports” resumiu a vitória da Argentina, cravando a manchete: “Messi, o pé de Deus”.