Postado às 05h37 | 23 Jun 2023
Ney Lopes
Está provado que putanistas e extremistas de direita jamais conseguirão a paz na Ucrânia.
Estou entre aqueles que condenam a invasão, que é uma clara violação do Direito Internacional e um precedente perigoso, que rompe com a prática europeia pós II Guerra Mundial de resolução dos conflitos entre Estados por via diplomática e não militar.
É preciso reconhecer com urgência que o conflito não terá solução militar, mas sim diplomática, negocial.
Esse é o único caminho.
Ninguém no Ocidente deseja a vitória da Rússia.
Por outro lado, a retirada das tropas russas do território ucraniano, é uma possibilidade remota.
A menos que, como o próprio Zelensky afirmou, Putin seja eliminado fisicamente, ou afastado do poder por um golpe palaciano.
A guerra está diante de impasse, semelhante ao da frente ocidental durante a I Guerra Mundial e não será quebrado por uma ofensiva militar conclusiva.
A via negocial é a única saída possível.
O problema é saber em que termos?
E para quando?
Apresentam-se desafios de grande complexidade.
O “cessar fogo” significa para a Ucrânia retirada das tropas russas de todo o território ucraniano.
Para a Rússia significa silenciar as armas e manter as suas forças no ponto em que estão.
Um ponto crucial é a questão da reparação moral e material da invasão.
A impunidade dos agressores é defensável?
Será razoável pagar este preço para comprar a paz?
Na verdade, a paz só será possível, quando os Estados Unidos e a China se empenharem seriamente na solução.
Defender negociações não é covardia, mas sim realismo humanista.
A proposta já apresentada pela China não é um plano de paz, mas um conjunto de pontos genéricos.
O ocidente acusou a China de ser parte interessada e fornecer armas à Rússia.
Isto é verdade.
Porém é preciso considerar que a China não tem qualquer interesse na instabilidade que a guerra provoca na Europa, o seu mercado preferencial.
Dessa forma, a conclusão é que o Ocidente, com espíritos desarmado e sem prevenções, deveria apresentar, ou apoiar, um mediador, até como forma de contrabalançar o protagonismo da China.
Parece-me inquestionável, que a Santa Sé seja o interlocutor ideal.
Em maio o ministro das Relações Exteriores da Rússia declarou que reconhecia o "sincero desejo da Santa Sé de promover o processo de paz”.
Papa Francisco já revelou que o Vaticano participa de negociações secretas pela paz na Ucrânia. Inclusive um enviado papal esteve com Zelenski.
Espera-se, que seja em breve alcançado o consenso para que o Papa Francisco vá a Moscou e Kiev com propostas concretas na busca da Paz.
É o que o mundo deseja!