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Para especialistas, estratégia do presidente de armar população lembra argumentos da extrema-direita americana

Postado às 05h29 | 18 Jun 2019

Globo

 Cientistas políticos e um professor de direito criticaram o presidente Jair Bolsonaro por defender que a população precisa se armar para impedir que governantes assumam o “poder de forma absoluta”. Para os especialistas, o presidente novamente tenta dialogar com a parcela mais fiel e radical de seus apoiadores.

— Qualquer país civilizado está mais preocupado em desarmar a população e construir relações de confiança do que preparar seu cidadão para guerra. É anti-iluminista — afirma o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Teixeira acredita que a declaração seja uma reposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que se manifestou contra o decreto de Bolsonaro que flexibiliza a posse de arma.

— É uma estratégia do governo de tentar mobilizar o grupo mais próximo e pressionar o Senado.

Oscar Vilhena, professor da FGV Direito SP, diz que o presidente errou e apelou a um argumento da extrema-direita americana para defender as armas.

— A frase é profundamente equivocada porque liberdade se garante com a democracia e com respeito ao estado de direito e não com o armento da população.

Por outro lado, Antônio Testa, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), minimizou a fala.:

— É um discurso populista, apenas retórico, que não tem impacto nenhum.

Testa explica que não está difundida na população a ideia de que o regime democrático está sob ameaça.

— Uma coisa é defender armar o povo contra os criminosos porque o sentimento é de insegurança. Outra coisa é fazer isso usando a possibilidade de governos totalitários. O Brasil nem de longe vive enfrenta esse risco. As instituições são fortes — afirmou.

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